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Quando otimizar o funil só piora o problema

Otimização de conversão multiplica o que já existe. Se a oferta ainda não vende, a entrega falha ou o funil muda toda semana, melhorar a conversão só leva mais gente até o problema.

Otimizar funil é multiplicar. E multiplicar um problema só deixa o problema maior.

É comum o empresário chegar querendo “melhorar a conversão”. Às vezes é exatamente do que ele precisa. Muitas vezes, não. Ninguém coloca um motor mais forte num carro que está com o freio ruim. Primeiro a gente conserta o freio.

Antes de contratar agência, consultoria ou ferramenta para mexer no funil, vale responder uma pergunta honesta: a base aguenta mais gente passando por ela?

Três situações em que otimizar piora

  1. A oferta ainda não vende. Se você ainda não sabe se as pessoas querem o que você oferece, otimizar a página só ajuda você a ouvir “não” mais rápido. Conversão não cria desejo. Ela tira o atrito do caminho de quem já quer.
  2. A entrega ou a retenção estão quebradas. Se o cliente reclama, pede reembolso ou cancela cedo, colocar mais gente na máquina deixa o problema mais visível e mais caro. Mais cliente insatisfeito não é crescimento, é desgaste com nota fiscal.
  3. O funil principal muda toda semana. Página nova na segunda, oferta nova na quinta, campanha nova no sábado. Nesse ritmo, nenhum teste tem uma leitura limpa. Você nunca sabe o que funcionou e, por isso, nunca aprende nada.

O teste de prontidão

Responda com o seu sócio ou com quem cuida do comercial. Primeiro, os cinco sinais de que você está pronto para otimizar:

  1. A oferta principal já vende de forma consistente, mês após mês.
  2. O investimento em mídia é relevante e previsível.
  3. O funil principal está estável há algumas semanas.
  4. Existe alguém dentro da empresa com poder para decidir e aprovar mudanças.
  5. Existe paciência para deixar um teste rodar até ter volume, sem desligar no terceiro dia.

Agora, os quatro alertas:

  • você ainda está procurando o encaixe entre o produto e o mercado;
  • o tráfego é imprevisível, com mês cheio e mês vazio;
  • a receita depende de lançamentos pontuais, com longos intervalos sem venda;
  • a empresa resiste a mudar páginas e mensagens com base nos dados.

A leitura é simples. Muitos sinais e nenhum alerta: hora de otimizar. Dois alertas ou mais: a prioridade é a base, não a conversão.

E se a empresa vende por lançamento ou por turma?

No Brasil, muita empresa de educação, eventos e serviços vende assim: abre a turma, vende, fecha, entrega e só abre de novo meses depois. Nesse modelo, o alerta da receita em picos é a regra, não a exceção.

Dá para otimizar mesmo assim, desde que você trate cada ciclo como um teste. Antes de abrir a turma, escreva a hipótese: o que vai mudar e o que você espera que aconteça. Depois de fechar, leia o resultado na mesma métrica da turma anterior. Uma mudança por ciclo, registrada.

E se o produto principal pode ser vendido o ano todo, vale considerar um funil sempre aberto para ele antes de qualquer conversa sobre otimização. Sem fluxo constante, sobra pouco para otimizar entre um pico e outro.

Quando o gargalo já é a conversão

O outro lado também existe. Alguns sinais mostram que o problema deixou de ser tráfego ou oferta e passou a ser conversão:

  • você investe forte em mídia e não sabe quais jornadas geram clientes;
  • as ideias de melhoria estão paradas numa lista, sem dono e sem prazo;
  • “a agência cuida disso” virou uma lista de sugestões que ninguém executa.

Se você se reconheceu aqui, otimizar deixou de ser opcional. Cada mês sem mexer é dinheiro de mídia escorrendo pela mesma fresta.

O que fazer quando a resposta é “ainda não”

Presta atenção no “ainda”. Não quer dizer parar. Quer dizer trabalhar em outra coisa primeiro:

  1. Afine a oferta e a mensagem. Leia as conversas de venda, principalmente as que não fecharam. As objeções estão lá, escritas pelo próprio cliente.
  2. Conserte a entrega e a retenção. Converse com quem cancelou. Um cliente que fica vale mais do que três que entram e saem.
  3. Estabilize a jornada principal. Escolha uma versão e segure por algumas semanas, para ter uma linha de base.

Otimização é acelerador, não conserto. Primeiro a base, depois a velocidade. Bora pra cima.

Filipe Frazão

Fundador e CEO do Grupo FRZ

Respostas rápidas

Quando não vale a pena otimizar a conversão?

Quando a oferta ainda não vende, quando a entrega ou a retenção estão quebradas e quando o funil principal muda toda semana. Nesses casos, mais conversão só leva mais gente até o problema.

Como saber se o problema é tráfego ou conversão?

Se a mídia é relevante e previsível, a oferta vende e mesmo assim você não sabe quais jornadas geram clientes, o gargalo já é conversão. Se o tráfego oscila muito ou a oferta ainda não vende, comece por eles.

Empresa que vende por lançamento ou turma pode otimizar o funil?

Pode, tratando cada ciclo como um teste: escreva a hipótese antes de abrir a turma, leia o resultado na mesma métrica depois de fechar e mude uma coisa por ciclo.

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Filipe leva estes temas a empresas, eventos e grupos de empresários em palestras, treinamentos e mentoria.